Millenium e a descoberta do poder.
Capítulo 1: Um novo começo.
Existem muitas contradições a respeito da catedral gótica de Petrópolis, onde se encontra o mausoléu imperial, muitas a acham linda e outros, mesmo que cristãos, a acham aterrorizante e obscura, talvez o estilo gótico em si cause esse feito nas pessoas.
Faltavam 10 minutos para a meia noite e uma forte chuva assolava todo o Rio de Janeiro, era uma chuva de verão da segunda semana de fevereiro de 2010, em Petrópolis praticamente todos estavam dormindo, pois fazia muito frio, mais do que o habitual. Uma das exceções era uma mulher bela e impassível que se encontrava sentada no altar da catedral, ela esperava ansiosa por uma convidada que chegaria em breve e que faria sua vida mudar.
Ela se chamava Helena Vansai, tinha 29 anos e estava no auge de sua beleza: morena, olhos verdes e puxados como uma oriental, cabelos negros e lisos com uma franja comprida por cima do lado esquerdo de seu lindo e fino rosto que trazia a ela um ar de mistério iminente que podia ser sentido emanando dela a todo o momento.
Após matar o padre Henrique e pegar-lhe todas as chaves da catedral, Helena se dirigiu ao portão da igreja e o deixou aberto para que Narciso entrasse sem maiores problemas e voltou sorridente para dentro da catedral onde já estaria pronta para agir, fazer o que tinha que fazer.
. . .
Não muito longe dali, em frente ao palácio de cristal, um rapaz chamado Igor Avaz corria incansavelmente em direção a rua Barão do Amazonas, para uma casa que seria seu refúgio naquela noite lúgubre e tempestuosa.
Durante toda aquela noite parecia-lhe que sua vida em família nunca tinha existido... Tanta falta de compreensão, tanta injustiça e falta de bom senso que a única coisa que podia fazer era fugir e correr de tantas coisas ruins e proibições que lhe oprimiam, não suportava mais aquilo, desde que seu avô havia morrido tudo havia mudado...
Virando a esquina da Rua Barão do Amazonas, Igor continuou seu trajeto até o número 6, onde havia uma linda casa verde no estilo alemão que seria sua fortaleza naquele momento confuso. Igor atravessou o portão da casa que sempre estava aberto e passou pelo jardim apressadamente não reparando em mais nada além da porta grande e bem detalhada a sua frente na qual esmurrou com a mão enquanto apertava a campainha com a outra.
No segundo andar da casa uma jovem encontrava-se meditando no seu quarto diante da janela, escutando o som da chuva, dos ventos, dos trovões...
-Igor. – disse ela calmamente ao ouvir o som insuportável da campainha e as batidas chatas na porta. A garota saiu da sua posição de lótus e se levantando da cama foi até seu guarde roupas e pegou uma toalha grossa e desceu as escadas já imaginando o que teria acontecido para que seu amigo estivesse ali aquela hora.
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Uma forte trovoada anunciava a chegada de Narciso pelas portas da catedral e Petrópolis, ele trazia em seus ombros largos e fortes uma mulher desmaiada e muito branca, ou estaria pálida, com cabelos louros e molhados, sua figura era fúnebre.
- Desculpe pelo atraso- ressoou a voz de Narciso pela igreja.
- Me dê uma explicação plausível e eu o perdoarei – brincou Helena descendo do altar sem tirar os olhos dos olhos de Narciso.
- Foi ela –disse ele ajeitando a mulher no ombro – Apesar deste rostinho de anjo ela é esperta como o diabo.
Helena dirigiu-se calmamente até a mulher que Narciso segurava e levantou-lhe o rosto com a mão direta olhando-a como se ela fosse um prêmio a muito desejado.
- É verdade... – começou ela – é muito mais esperta do que aparenta, pena que para ela eu sou bem mais e forte. Coloque-a no altar.
Narciso obedeceu-a incontinente e após deixar a mulher pálida no altar afastou-se calado.
- Quanto tempo ela vai demorar para despertar? – perguntou Helena
- No máximo cinco minutos, usei uma dose fraca.
- Ótimo, me espere no carro e encoste a porta da igreja.
-Como quiser.- disse Narciso saindo.
Ali, sozinha com aquela mulher, Helena se sentiu grandiosa e realizada, é claro, seu trabalho só estaria começando, mas se tudo acontecesse como hoje ela não teria problemas.
Helena foi para trás do altar onde havia deixado uma mochila e ao pegá-la começou a tirar alguns objetos, dentre eles algumas velas e um punhal.
...
- Toma –Disse Selene passando a toalha à Igor ainda parado na porta – Entra, se enxuga e me espera no meu quarto que eu já subo.
- Obrigado... Eu... – Igor senti-se envergonhado prado ali naquela porta molhado, triste pedindo ajuda para Selene pela enésima vez.
- Não se preocupe - Ela abraçou o amigo com carinho e sorrindo disse – Chá ou chocolate?
- Chocolate. – Disse ele rindo e fechando a porta. Tudo estava bem novamente.
Alguns minutos depois Igor já estava seco e tomando um delicioso chocolate quente em cima da cama de sua amiga.
- Você vestiu a roupa que deixou aqui desde a última vez? – Perguntou Selene.
- Sim – Disse ele afastando as cobertas para que a amiga vêse as roupas secas e limpas – Obrigado mais uma vez por tudo... Eu - Ele não conseguia encará-la, apenas olhava a chuva lá fora.
Selene aproximou-se ainda mais de Igor, tirou-lhe a xícara da mão, coloco-a em cima de seu criado mudo e abraçou-o com tatá força que naquele momento nada escutava, nada via... Apenas sentia o calor daquele abraço e começou a chorar, chorar e colocar toda aquela angustia para fora.
- Eu ju... juro Selene –Disse ele balbuciando nervoso - Juro que daqui para frente eu vou fazer da minha vida uma nova vida... Eu cansei!
...
As cordas já amarravam os pulsos e tornozelos da mulher desmaiada, os castiçais já ostentavam as velas acesas, um acima da cabeça e outro abaixo dos pés... O altar estava pronto.
-Vamos querida, acorde. – Sussurrava Helena aos ouvidos da mulher - Eu tenho uma ótima surpresa para você... Acorde.
Um filme se passava na cabeça de Helena, um filme longo e mudo, todo o seu passado formado de dedicação, estudo, prática... Desprezo, inveja e arrogância por parte de sua convidada amarrada, mas agora ela tinha o que queria. Vingança! Sim, ali parada olhando-a frágil de delicada, tinha tudo o que desejava a anos... Mas aquilo bastaria para saciá-la? Nunca, ela era insaciável.
Aos poucos a mulher foi recuperando os sentidos e isso fez com que Helena despertasse de seu transe e olhá-la nos olhos até que sua mente estivesse clara o suficiente para que ela pudesse dialogar.
Eleonora Mercrine abria os olhos confusa, revelando um azul cítrico incomum neles, estava tudo muito escuro, exceto por umas luzes que vinham de cima da sua cabeça e abaixo de seus pés, aos poucos sua consciência penetrava naquela realidade confusa e ao longe escutava uma voz chamar por seu nome, ela queria saber de quem era a voz... Estaria em um sonho? Uma dor alucinante penetrou em seu braço avisando-a que era tudo realidade e enfim sua mente despertou para o horror que a cercava.
- Desculpa querida, você estava tão sonolenta que eu não pude evitar. – Disse Helena mostrando o punhal sujo de sangue para Eleonora eu agora buscava em sua mente como fora parar ali até que se lembrou do homem forte e simpático que havia lhe pedido ajuda na estrada...
- Eu... Que lugar é este? – Disse Eleonora atordoada, enquanto olhava para todos os lados.
- A catedral de Petrópolis, ela é linda não é? – respondeu Helena calmamente.
Eleonora encarava a mulher que estava à sua frente, seria possível que...
- Helena?
- Sim querida sou eu, há quanto tempo não? Faz idéia de quanto tempo demorei pra me recuperar e achar você, ou melhor, vocês... deu trabalho mas estamos aqui agora e você é a última adulta e peça do meu quebra cabeça. Saudades de mim? – Helena começou a se divertir o pavor estampado no rosto da velha amiga.
- O que você quer? –Perguntou Eleonora percebendo que suas mãos e pés estavam amarrados fortemente. – ME SOLTE! – O grito ecoou pela igreja seguido logo pela risada fria e aguda de Helena.
- Te soltar? Jamais, ou você ainda tem alguma esperança?
- Por que você está fazendo isso Helena? Você não precisa!
- Faço isso por nosso mestre e por mim... Por nosso objetivo.
- Nosso mestre?! - Eleonora estava lidando com uma louca... – Helena, ele esta morto... Ele morreu há cinco anos, você sabe disso.
Mas uma vez a risada de Helena atravessava a igreja.
- A ingenuidade é realmente um dos maiores pecados do ser humano.
- Do que você esta falando? – Eleonora estava confusa.
- Ele não morreu minha cara. – disse Helena respirando fundo. – Agora chega desse seu blá blá blá... Vamos ao que realmente interessa.
Helena esticou o braço até o pescoço de Eleonora e arrancou-lhe um cordão de ouro com a mão levando o pingente nele pendurado até a altura dos olhos, contemplando-o como se fosse a coisa mais importante do mundo. O pingente tinha a forma de uma estrela, assim como o cordão ele também era de ouro, mas o que realmente importava era a pequena pedra de rubi que estava incrustada no centro da estrela.
- Me solte e me devolva isso imediatamente Helena! – Exigiu Eleonora com a voz firme apesar da dor no braço.
Helena mal a ouvia neste momento, ha tanto ela queria aquele pingente...
-Desista querida, é tarde demais para qualquer coisa que você tente, - Disse Helena despertando do seu devaneio por Eleonora que falava freneticamente em uma língua que Helena conhecia bem. – A sua vida já não tem mais solução ou serventia.
- Você é louca! – Gritou Eleonora – Ele está morto e não há nada que você possa fazer com apenas mais uma millenium!
- Deixe-me corrigi-la, - Helena a encarava com um rosto de doçura enquanto acariciava o rosto de sua inimiga – Ele está mais vivo do que você imagina e com a sua millenium ficará faltando apenas mais uma.
- Impossível! – Eleonora se debatia tentando se livrar das cordas, tentava não acreditar no que Helena dizia... Não poderia ser verdade!
...
Na rua, Narciso esperava vigilante dentro do carro.
Fazia tempo que ele não pegava um trabalho tão grande, não se sentia muito confortável com isso, afinal, muitas mortes podem levar a um único assassino, nem ele tinha certeza do como foi se envolver tanto neste trabalho, em 1° lugar não era ele quem matava as vítimas e sim as seduzia num teatro encenado que Évelyn o ensinava com grande prazer, havia sido assim com os outros 10 mortos, essa última havia sido mais difícil de conquistar, mas valeu a pena, pelo dinheiro e pelo sexo... Évelyn era um exemplar perfeito de mulher perfeita, na cama, na atitude, nos gestos e nas palavras... Ele não sabia o quanto e quando ele se encantou por ela, mas estava mexido com essa mulher... Havia algo de diferente nela que o deixava louco.
Narciso olhou no relógio e viu que já eram meia noite e meia de um novo dia e Helena nunca passava mais do que 15 minutos nesses lugares com suas vítimas, por que ela demorava tanto? Será que ele deveria entrar, afinal ela poderia estar com problemas... Não, disse a si mesmo e já havia visto Évelyn em ação, ela era boa.
...
- Por favor Helena... Você ainda pode parar isso.
As súplicas de Eleonora de nada adiantavam, Helena continuava sua oração frenética naquela língua complicada, as palavras ficavam rápidas assim como o fôlego da oradora.
- Helena... – Eleonora estava desesperada com olhos vermelhos e encharcados de lágrimas – Não faça isso, o seu futuro Helena... Existe traição nele, deixe o garoto em paz... Ele não tem culpa do que o...
- Quais suas últimas palavras querida? – Gritou Helena com o olhar em frenesi.
Eleonora olhou no s olhos de Helena e viu a morte em sua forma mais cruel, era triste esse fim.
-Você vai sofrer.
Helena mal se abalou com aquelas palavras premonitórias e enfim enterrou o punhal no peito de Eleonora fazendo com que não só o sangue fluísse, mas toda sua angústia e frustração de anos, havia mais do que alívio estampado em seu rosto... Havia prazer.
...
- Que foi? – perguntou Selene assustada com o gemido e acara de dor que Igor fez derrepente.
- Não sei, um aperto no coração... – Disse ele massageando o peito.
- Alguma coisa grave? – Perguntou Selene preocupada.
- Não, é mais um angústia sei lá... Uma sensação de perda.
- Você não acha melhor eu ligar pra sua mãe? – Disse Selene ainda assustada, Igor nunca sentiu dores no coração antes.
- Não! – negou ele mudando as feições no rosto.
- Você disse, ou melhor, jurou que ia fazer da sua vida uma nova vida Igor – Falou Selene séria encarando o amigo séria – Por que não começar agora? Ligue para sua mãe, tranqüilize ela... Vai ser melhor assim.
- Acredite em mim Selene, não vai ser.
Selene estava muito cansada para discutir e sabia que uma discussão não levaria a nada por isso resolveu mudar de assunto:
- Bem, já passa da meia noite e parece que começou mais um dia da nossa última semana de férias, que tal agente ir segunda comprar as coisas da escola?
- Tá legal. – Disse Igor ainda de cara feia.
- Bem, já que você não muda essa cara de jumento empacado, eu vou dormir. – Desistiu Selene levantando e indo em direção a porta. – Sabe Igor, eu acho que você realmente precisava reiniciar sua vida – E saiu sem dizer boa noite.
Ali, no quarto de Selene, Igor pensava em muitas coisas e olhando pela janela deu um sorriso. A manhã daquele dia traria um domingo ensolarado, apesar de toda aquela tormenta.
...
- Vamos para o hotel. – disse Helena tirando as luvas e jogando-as dentro da mochila.
- Algum problema? Você demorou. – Perguntou Narciso enquanto ligava o carro.
- É impressão minha ou lhe devo satisfações?
Narciso entendeu que não deveria fazer mais perguntas.
- A sua sorte é que estou feliz hoje e quero que você durma comigo.
Ambos trocaram olhares e sorriram de um jeito maroto, a morte os excitava.
Muitas pessoas que iriam à missa pela manhã teriam uma horrível surpresa e mal imaginavam que aquilo era só o começo, mas por enquanto todos dormiam em suas camas quentes e confortáveis, pois fazia um frio incomum naquela noite... Um frio muito diferente.

ansiosa...
ResponderExcluirAmei!
ResponderExcluirqro logo os próximos capitulos rs
:)